Tem caroço nesse angu
Eles
suspiraram longamente. Ela se aninhou ao lado dele. Era o momento favorito dela
depois de uma transa tão gostosa como aquela. Foda-se o suor. O que é o fazer
amor sem suor? Só o sexo em si já era a troca de fluídos mais intensa que
provavelmente a humanidade viu. Os corpos ainda quentes se abraçaram e ele a
beijou na testa.
-
Preciso te falar uma coisa. – ele falou
-
Ai... sério? Tinha que ser muito bom pra ser verdade.
Ela
fez uma cara de decepcionada.
-
O quê?
-
Lindo, inteligente, o tipo de cara que eu sinto atração. Aí DEUS vem e já joga
uma praga. Sabia que só podia ter caroço nesse angu. – comentou consternada e
já buscando a camisa para se vestir.
-
O quê?
-
Você é gay né? – ela parou e olhou fundo nos olhos dele.
-
Hã?
-
Você é gay.
-
A gente acabou de transar, e foi muito bom aliás, como assim eu sou gay?
-
Sei lá, você é gay, aí quis dar uma última chance pra heterossexualidade, mas
viu agora que nhe, você não curte uma ppk.
Ele
riu.
-
Não, eu não sou gay.
-
Então o que é? Ai, meu deus, você tem namorada e tem um relacionamento aberto e
quer que eu entre. Olha, eu não tenho nenhum problema com relacionamento
aberto, inclusive já tive um, mas não rola no momento, tenho muita coisa pra me
preocupar e mais pessoas em relacionamento...
Ele
fez que não com a cabeça antes mesmo de responder
-
Não. Eu não tenho namorada. E eu também mal dou conta de uma pessoa, imagine de
mais...
-
Meu deus, você é do DCE né? Dessas militâncias. Sabia. Olha essas pulseirinhas.
-
Eu já estou no mestrado, eu não tenho como ser do DCE e nem sou de militância. E
qual o problema com minhas pulseirinhas?
Ele
mal acabou de fazer a pergunta quando ela continuou.
-
Já sei, você é esquerdomacho. Dá uma de protetor das mulheres e agora vai dizer
que tem ex maluca que vai vir me procurar e dizer que você foi abusivo e não é
pra eu acreditar né? Você é muito bonitinho pra ser ficha limpa, e eu, otária,
começo a gostar de você.
-
Ahm... não. Eu tenho uma ótima amizade com minhas ex, inclusive se você quiser
você pode falar com elas pra ver se a informação procede. – ele respondeu o
mais calmamente possível mesmo diante da cara desesperada da garota.
-
E É O QUE ENTÃO? – ela perguntou exaltadamente
-
Ok, posso falar agora e não serei interrompido?
-
Ok.
-
Promete?
-
Prometo. – ela responde com a maior cara de birra
-
Ok. É que... eu acho que tenho que dizer já que estamos saindo há umas semanas.
-
Você tem alguma doença sexualmente transmissível horrível?
-
Você prometeu que não ia... – ele mal acabou a frase e ela respondeu
-
ok ok. Mas você não tem não né?
-
Não, não tenho.
-
Ok, continue.
-
Então. Sei lá, acho que é importante você saber. Eu tenho depressão.
Ela
olhou pra cara dele sem entender muito. O silêncio durou alguns segundos.
-
Ahm.... e....?
-
... e ansiedade. – ele respondeu um pouco apreensivo.
-
Ok... e...?
-
Ahm, você não acha isso ruim? Teve menina que não quis ficar comigo quando viu
que eu tomava remédio e tal...
-
Ahm... Querido. Somos da geração z. QUEM NÃO TEM DEPRESSÃO OU ANSIEDADE OU OS
DOIS? Eu mesma tenho os dois.
-
Você tem?
-
Eu faço mestrado. É pré-requisito pra pós graduação ser fudido da cabeça.
Ele
parou, olhou pra ela. Sorriu.
-
Apesar disso ser extremamente triste, fico muito aliviado.
-
Relaxa, lindinho. Qual remédio você toma?
-
Escitalopram e às vezes rivotril.
-
EU TAMBÉM! Então você pode dormir aqui e não vai ter problema quando esquecer pois
tenho estoque aqui em casa. – falou abrindo o maior sorriso aliviado que já
tivera desde que o tinha conhecido.
E
o beijou longamente entrelaçando os dedos nos cabelos dele. Continuaram juntos
e abraçados na cama quando ele se deu conta.
-
Pera.
-
O que? – ela respondeu
-
Você disse que está gostando de mim?
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